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Desafio ainda é unir individual e coletivo.

Newton Campos

31 Dezembro 2013 | 00h18

Este artigo foi publicado na versão impressa do jornal “O Estado de S. Paulo” há alguns dias. Compartilho o texto com os leitores deste blog.

“Por quê esperamos mais da tecnologia e menos de cada um de nós?”. Com esta pergunta a Professora Sherry Turkle do MIT abre seu livro Alone Together, publicado nos Estados Unidos no ano passado. Descrevendo o crescente papel da tecnologia em nossa intimidade, a Professora demonstra que estamos cada dia mais próximos de nossos computadores, tablets e smartphones e cada dia mais distantes uns dos outros.

Enquanto grandes pensadores da educação como Ken Robinson ou Clayton Christensen parecem certeiros ao prever que a tecnologia nos permitirá personalizar ao máximo nosso desenvolvimento educacional, embarcamos num processo paralelo de individualização do aprendizado, que certamente nos trará muitas oportunidades mas também muitos desafios nos âmbitos da educação formal e do treinamento profissional.

Neste futuro não tão distante, a maioria dos cursos que façamos se adaptarão aos nossos perfis, tanto em seus conteúdos como em seus formatos e até mesmo nas metodologias que utilizam. Esta incrível mudança estrutural no processo de construção do conhecimento nos trará maneiras inovadoras e eficientes de aprendizado. Estudantes e funcionários de empresas aprenderão rapidamente sobre assuntos que tradicionalmente levavam muito tempo para serem aprendidos.


No Brasil, como retardatários da educação mundial, podemos demorar para ver novidades significativas nestes âmbitos. Ainda assim, seremos inevitavelmente beneficiados por esta revolução silenciosa que se inicia na indústria do conhecimento, uma indústria que será imprescindível nesta nova “sociedade do conhecimento” que substitui paulatinamente a centenária “sociedade industrial” para a qual fomos formados.

Muito se fala das tecnologias de vídeos online, de conteúdos personalizados e de jogos instrutivos, que podemos consultar do conforto de nossos sofás. Mas pouco se fala em como integrar todas estas tecnologias num processo de aprendizado muito mais ousado: aquele capaz de integrar professores, alunos, ex-alunos e até mesmo profissionais do mercado, entre outros, num processo coletivo de formação que deve reforçar a noção de que nossa individualidade só pode ser exercida na coletividade, principalmente quando aplicamos tecnologia à educação.

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