A utilidade da inutilidade do Carnaval
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A utilidade da inutilidade do Carnaval

Newton Campos

12 Fevereiro 2016 | 03h52

Acabou… chegamos ao fim de mais um carnaval. Ano após ano me surpreendo com a capacidade que este fenômeno cultural de origem euro-africana tem de fazer o brasileiro sorrir, dançar, fazer novas amizades e cultivar antigas. “Somos bons mesmo nisso,” fico a pensar, quase orgulhoso.

Os blocos de rua, gratuitos e cheios de foliões com fantasias improvisadas, animam tanto as massas como os colegas de bairro, espalhando-se cada vez mais por cidades como São Paulo e até mesmo Salvador. Claramente indicam que a lógica do show business tenta mas não se impõe sobre nossa festa mais popular.


Mas para que serve o Carnaval? O que ganhamos com ele? Ao ouvir isso de amigos ao longo desta semana, não pude deixar de lembrar de uma sugestão de leitura que recebi há cerca de um ano através do blog do médico e educador hispano-brasileiro Pablo Gonzalez Blasco: “L’utilità dell’inutile,” livro publicado originalmente na Itália pelo Professor Nuccio Ordine, expert em Renascença e literatura italiana.

Prof. Nuccio Ordine

L’utilità dell’inutile (Nuccio Ordine, 2013).

O livro nos remete justamente a um erro que estamos cometendo ao exacerbar a importância da utilidade sobre a importância da contemplação ou da curiosidade na formação do ser humano: “A lógica do benefício mina as instituições (escolas, universidades, centros de pesquisa, museus, bibliotecas) e as disciplinas (humanísticas e científicas) cujo valor deve coincidir com o saber em si, independentemente da capacidade de produzir lucros ou benefícios práticos.”

Numa época onde a tecnologia, baseada nesta “ditadura do utilitarismo,” recebe cada vez mais protagonismo sobre o processo educador, devemos ter muito cuidado para não robotizá-lo, mantendo nossa mente aberta sim para a “inutilidade” dos poemas, das sinfonias, das esculturas, da literatura ou dos idiomas não comerciais.

Obs: Para aqueles que entendam bem ou algo de italiano, deixo aqui uma aula fantástica proferida pelo próprio Prof. Ordine em 2014 sobre o livro. Embora o vídeo dure quase 2 horas, a introdução pareceu-me a parte mais interessante (vai do minuto 5 ao 31).

Link para vídeo da palestra do Prof. Nuccio Ordine (2014)

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