A falácia dos MOOCs?
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A falácia dos MOOCs?

Newton Campos

09 Dezembro 2013 | 11h49

Cada dia podemos ser mais críticos com esta moda educacional chamada MOOC (Massive Open Online Course).

O pessoal da Penn State University, onde fiz aquele curso no ano passado sobre Liderança no Aprendizado Online, soltou um comunicado nesta segunda-feira dia 9 de Dezembro trazendo resultados muito interessantes sobre um estudo que fizeram sobre os famosos MOOCs nos Estados Unidos. Como já prevíamos no ano passado, apesar da euforia, os MOOCs realmente não revolucionavam muita coisa ainda.

Um estudo anterior já tinha detectado que os maiores beneficiados pelos MOOCs não eram as pessoas sem acesso à educação como foi imaginado inicialmente, mas justamente o contrário: quanto mais formada é uma pessoa, maior a probabilidade dela assistir a um curso no formato MOOC.

Neste estudo de agora, os pontos que mais chamaram minha atenção foram:
• Embora tenha aumentado frente a estudos anteriores, a taxa de conclusão dos cursos continua sendo bastante baixa, com uma média de 4%;
• Quanto mais atividades sejam exigidas aos alunos, menos estes terminam o curso (2.5% concluíram cursos com atividades contra 6% para cursos sem atividades);
• E o mais surpreendente, somente 50% das pessoas que se registraram para realizar um curso compareceram à primeira aula (em alguns cursos esse dado não chega a 30%).

Como pode-se notar, o MOOC poderia até ser considerado apenas mais uma moda americana que pegou muitos gestores de educação e empreendedores de surpresa, alguns dos quais investiram e seguem investindo grandes somas de recursos para promover algo que ainda não teve e não sabemos se terá efeito significativo e prático na sociedade.

Mas valeu a tentativa e até mesmo a moda. Pois trazer focos de investimentos para educação e principalmente novos atores para a sua melhora já tem sido uma contribuição bastante nobre dos MOOCs.

Para aqueles que já investiram recursos em sistemas similares aos MOOCs ou estão prevendo começar a investir, deixo uma recomendação que acho pertinente: adicione processos e ferramentas que exijam e promovam a interatividade entre as PESSOAS. Os MOOCs devem ser apenas parte da engrenagem de um processo educacional mais amplo, que foque nas PESSOAS, e principalmente nos PROFESSORES.

Afinal de contas, como macacos sociais que somos, ainda preferimos aprender interagindo com outros macacos de verdade, é ou não é?

Nota adicionada em 30 de Dezembro de 2013:
MIT Technology Review: Estudo revela fragilidade dos MOOCs (artigo em inglês).

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